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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

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Responsável do Vaticano: a ligação homossexualidade-pedofilia é uma "grande injustiça" e uma "criminalização" da identidade gay

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Ligar homossexualidade e pedofilia é uma "grande injustiça" e uma "criminalização" de identidade sexual e afetiva gay, insistiu um responsável do Vaticano.

 

Indo à notícia

Monsenhor Jordi Bertomeu Farnós, um sacerdote da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) e um dos braços direitos do Papa Francisco na luta contra o escândalo de abuso de menores por parte do clero, derrubou o mito de que os sacerdotes gays são mais propensos na ofensa de menores num ensaio feito para a revista espanhola Palabra.

Bertomeu – um dos investigadores especiais enviados pelo Papa para averiguar a crise de abuso sexual no Chile em 2018 - baseado em conclusões tiradas dos 6000 casos de abuso sexual contra crianças que desde 2001 chegaram à CDF, a Congregação na qual são julgados e sancionados os clérigos que cometeram crimes canónicos graves.

 

Aprofundando

Criticou as "posições preconceituosas fortemente influenciadas por uma certa postura ideológica ultraconservadora" que afirmam o contrário e sublinhou que "não existe qualquer relação direta entre a homossexualidade e a pedofilia".

Nem tão pouco, prosseguiu Bertomeu, há qualquer relação entre a pedofilia "e um 'estilo progressista' do clero".

"A partir de um observatório privilegiado como é o caso deste Dicastério, pode afirmar-se que o fenómeno da homossexualidade não conhece os estilos dos sacerdotes, uma vez que afeta padres de cariz 'tradicional' e outros de um cariz mais aberto ou 'progressista' (apesar da natureza errónea destes qualificadores), escreveu Bertomeu.

O máximo que pode ser discutido das estatísticas da CDF é "que uma certa subcultura homossexual típica de alguns grupos de sacerdotes e presente nalguns seminaristas e noviços, coma consequência tolerância para com comportamentos homossexuais ativos, pode conduzir à pedofilia", acrescentou o responsável do Vaticano.

"Estas são situações que merecem uma maior atenção por parte dos pastores, que possuem os meios pastorais e disciplinares de convidar através do exemplo, palavra e mesmo a coerção a uma vida casta que não seja um perigo ou escândalo para o próprio padre e para a Igreja", advertiu Bertomeu.

 

Por que isto é importante

A incursão de Bertomeu no mito do padre gay mais propenso a abusar é importante porque, como o próprio admite, em certos círculos da Igreja "há a conversa de que os padres homossexuais têm cerca de três vezes mais probabilidade de cometer o crime da pedofilia", o que lança suspeições injustas sobre os padres gays fiéis que vivem vidas celibatárias.

Neste ensaio, o responsável da CDF também deitou por terra outras fantasias, tal como a que defende que os sacerdotes são os que cometem maior número de abusos na sociedade, quando na realidade somente constituem "menos de 3% dos casos reportados às autoridades civis" referentes a este tipo de crimes.

Tais mitos são particularmente severos para com os padres bons e fiéis, lamentou Bertomeu, que "são intrinsecamente vistos ou mesmo tratados como 'suspeitos' de ter cometido este crime hediondo" da pedofilia.

 

Para que conste

Noutra parte na sua peça, o responsável pela CDF desmontou a crença de que o celibato dos padres é ou a "causa" ou um "fator de risco" para o abuso de menores, novamente tendo por base os casos julgados pela CDF ao longo dos últimos mais de vinte anos.

Para além disso - dada a prevalência do abuso de menores na sociedade fora da Igreja - não há nenhuma garantia de que a abolição do celibato obrigatório e/ou abrir o sacerdócio às mulheres faria desaparecer o problema do abuso de menores na Igreja, argumentou Bertomeu.

"Não há qualquer prova científica que demonstre que uma vida de casado poria um fim ao comportamento desviante destes poucos padres com esta desordem sexual" que é o desejo de predarem crianças, disse o responsável da CDF.

 

Fonte: Novena News.

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