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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

30 de Janeiro, 2019

«Sou católico e sou gay... não necessito de ser 'curado'»

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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Johnny Hultzapple, o autor, é estudante no South High School em Denver (EUA).

 

É com um coração enraivecido e triste que hoje escrevo este post.

 

No passado sábado, a arquidiocese de Denver patrocinou um evento no Centro João Paulo II, conduzido pelo ativista anti-LGBT e proponente da terapia de conversão chamado Andrew Comiskey.

 

Havia uma faixa completamente falsa e insultuosa, na vedação do Centro João Paulo II. É importante sublinhar que o representante da arquidiocese afirmou que a arquidiocese não tinha pendurado a faixa embora patrocinassem o evento. A faixa contém uma citação do líder do evento, Andrew Comiskey, e nela podia ler-se «Não existe tal coisa como uma pessoa 'gay'... Isso é um mito popular.» «O Diabo deleita-se com a perversão homossexual.»

 

Enquanto jovem, homem gay, senti-me enfurecido quando li esta faixa e um artigo num jornal. Não somente a faixa é abertamente ofensiva, como está muito, muito, muito errada.

 

EU SOU uma pessoa gay. EU SOU um homossexual e não há absolutamente nada de pervertido em mim. No Génesis 1, 26, Deus diz «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança.» Se nos basearmos na fé cristã, os seres humanos são feitos à semelhança de Deus. Acredito que isto inclui as pessoas LGBT. As pessoas LGBT são feitas à imagem e semelhança de Deus.

 

Durante 11 anos da minha vida frequentei a escola católica mesmo no fim da rua do centro JP II. Aliás, eu costumava correr à volta do centro JP II para praticar corta-mato. As minhas boas memórias da escola católicas encontram-se infelizmente manchadas com momentos de intolerância marcados pela escuridão e dor - momentos esses que me acompanharam para o resto da vida.

 

Esta intolerância é frequentemente promovida na religião católica, ainda que isso não seja feito por todas as pessoas. A parte irónica desta intolerância é que o Catolicismo é uma religião centrada no amor: o amor de Deus pelo seu filho, o amor de Jesus pelo seu povo e o amor do povo para com Jesus demonstrado pelo amor ao próximo.

 

Acontecimentos como [a conferência com Comiskey], a qual espalhou ódio e mentiras sobre a comunidade LGBT, não são o tipo de eventos que creio estarem verdadeiramente fundados no ensinamento católico. Em João 15, 12 Jesus exclama «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.»

 

Tenho apenas 17 anos, mas consigo perceber que eventos como o de Andrew Comiskey não espalham o tipo de amor com o qual Jesus amou o seu povo. O amor de Jesus nunca foi julgador, nunca foi exclusivo e, definitivamente, nunca teve um conteúdo de ódio. O Deus que conheço ama todas as pessoas e todas as pessoas significa qualquer pessoa que viva e respire, independentemente da sua sexualidade, género, ou qualquer outra identidade.

 

Na conferência, Andrew Comiskey afirmou «O inimigo tem como objetivo semear sementes de engano em pessoas brilhantes, realmente coloridas e realmente frágeis e é precisamente isso que é toda a abordagem LGBT.»

 

Ainda que esteja de acordo com a comunidade LGBT e eu sejamos realmente brilhantes e coloridos, sei que não somos frágeis. Somos uma comunidade FORTE. Eu sou uma pessoa forte. A comunidade LGBT luta diariamente para ultrapassar a intolerância. Com cada dia que passa, estamos a tornar-nos muito mais fortes. Ultrapassá-la-emos, tal como o fizemos no passado.

 

Pessoas que estiveram presentes na conferência disseram às pessoas que as conferências e organização de Comiskey as levaram a 'converter-se' da homossexualidade à heterossexualidade. Como o artigo descrevia «os programas de terapia de conversão como os de Comiskey foram amplamente desacreditados e têm a oposição da American Medical Association, da American Psychological Association... e de muitas outras organizações médicas.» De facto. os programas de terapia de conversão acabaram de ser proibidos na cidade de Denver (EUA). Para além disso, com a aprovação de uma lei estatal, a terapia de conversão será, disso temos esperança, proibida em todo o Colorado (EUA) este ano.

 

Infelizmente, a arquidiocese de Denver continua a promover este tipo de eventos.

 

Sou católico e sou gay. Não estou 'enganado'; o diabo não se «deleita na minha sexualidade»; não preciso de ser 'convertido' para a heterossexualidade; não preciso de ser 'curado'. Estou longe de ser perfeito, mas isso nada tem a ver com a minha orientação sexual.

 

Deus fez-me gay e sei que Deus quer que use a minha voz para espalhar amor e aceitação não somente à comunidade LGBT, mas a TODAS as pessoas, independentemente da sua identidade. Darei o meu melhor para garantir de que este ódio não continuará na minha comunidade. Darei o meu melhor para garantir que outras crianças na escola católica não terão de sofrer a intolerância que eu sofri.

 

A minha grande família católica ama-me e aceita-me como sou; eles sabem que Deus me fez gay e ama-me de igual forma. Tenho sorte e estou grato por ter este sistema de apoio em meu redor, mas outros não têm tanta sorte.

 

Peço, acima de tudo, que deem amor a tod@s @s voss@s amig@s LGBT e familiares, particularmente aqueles que se encontram em comunidades cheias de ódio.

 

No fim, é o amor que nos unirá a todos, apesar das nossas diferenças.

 

Fonte: Colorado Times Recorder

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