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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Testemunho!

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Durante muito tempo senti-me infeliz por não conseguir "superar" a minha homossexualidade, contudo logo que me aceitei senti-me livre, pleno e até atrativo. O meu convite é para que te aceites como criação perfeita de Deus, vivas ao máximo a tua vida, caminhando, em cada dia, na mão de Deus.

 

Faz uns meses um primo por parte do meu pai perguntou-me se eu "jogava no outro campeonato" devido a um comentário que fiz numa página do Facebook. Como não queria expor-me respondi-lhe que o havia feito por brincadeira. Contudo, o meu primo contou à mão (minha tia) que, furiosa, chamou a minha mãe, perguntando-lhe se sabia da publicação. No dia seguinte a minha mãe perguntou-me sobre ela e não pude continuar a negar que me havia aceitado como gay. Os meus pais são cristãos muito conservadores e não o aceitaram e pediram-me que continuasse procurando "vencer" a homossexualidade, tal como o tinha tentado fazer no passado.

 

É muito difícil ser criado num contexto onde a homossexualidade é vista como pecado e ainda que eu partilhasse dessa mesma ideia não conseguia deixar de sentir atração por homens. Fiz tudo o que a igreja cristã ensina para me "libertar" da homossexualidade, desde as disciplinas espirituais, passando pelo jejum, pela oração e pelo recitar as Sagradas Escrituras, até submeter-me a exorcismos e a terapia tanto individual como de grupo. O não ver resultados trouxe à minha vida muita culpa e amargura. Tinha mesmo pensamentos suicidas.

 

Faz mais de ano e meio que decidi aceitar-me como gay e sinto-me mais feliz comigo mesmo. Não quero ter de dizer na igreja que Deus me "libertou" da homossexualidade, enquanto mantenho encontros sexuais com homens. Não quero negar a minha orientação sexual para encaixar no sistema, ainda que no meu interior sofra e chore enquanto pergunto a Deus: por que não sou heterossexual?

 

Ao sair do armário saiu-me um enorme peso de cima, porque posso ser eu mesmo sem ter que sentir vergonha de nada e com a ajuda de Deus seguirei em frente no caminho da felicidade, a qual é direito inalienável que têm todos os seres humanos.

 

Tradução do espanhol: José Leote (Rumos Novos)